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Entrevista Sérgio Moreno

Com as mudanças na liderança da Associação Portuguesa de Futebol Americano, Sérgio Moreno saltou para a linha da frente da gestão dos Lisboa Devils. Mestrado em Gestão pela Nova School of Business and Economics, faz parte da “equipa” decisora do clube mas também da equipa desportiva: Sérgio é Linha Ofensivo e Kicker, estando nos Devils desde a sua criação.

Como têm corrido estes primeiros tempos à frente dos Lisboa Devils?

Têm sido desafiantes, na medida em que é a primeira vez que tenho uma experiência directiva numa instituição desportiva e a gestão do dia-a-dia requer alguma dedicação, sobretudo considerando os objectivos e metas exigentes a que nos propusemos. A fase incipiente em que a modalidade ainda se encontra em Portugal também leva a que maiores esforços sejam exigidos às estruturas directivas dos clubes que têm de fazer muito com os poucos apoios que vão obtendo; os Devils não são excepção.

Apesar disto, tenho uma motivação enorme para assegurar que o planeamento da época é feito de forma apropriada e de acordo com as diretrizes da equipa técnica. Acredito que o desafio será ainda maior quando a época começar mas estou focado em garantir que o único jogador que se terá de preocupar com questões administrativas seja mesmo eu.

A equipa regressa ao trabalho depois de amanhã e, ao mesmo tempo, começam os treinos abertos que contam com mais de 180 inscritos. Como encaram começar a defesa do título de campeão nacional com poucas saídas do plantel e com tantos candidatos a um lugar no roster?

Encaramos a defesa do título com muito entusiasmo e motivação, na medida em que essa responsabilidade acrescida é o reflexo do assinável feito que foi sermos campeões nacionais. Contudo, o sucesso passado não é um fim em si mesmo e pretendemos continuar a crescer como equipa e como instituição desportiva tendo como objectivo principal a revalidação do título nacional. A permanência de elementos do plantel, em especial elementos que estão connosco desde a criação dos Devils há três anos, é algo que nos alegra e satisfaz e é sintomático dos laços de amizade criados ao longo deste período. Para além do valor sentimental, ter uma base de jogadores históricos no clube sem dúvida que ajuda a transmitir o nosso espírito de equipa aos novos elementos recrutados todos os anos.

A competitividade e o interesse demonstrados nos nossos Treinos Abertos é algo que é uma grande satisfação e um feito notável. No passado fui atleta federado em clubes de futebol de 11 e apesar de esse ser o desporto de eleição em Portugal, nunca nenhum clube por onde passei conseguiu angariar um número tão elevado de participantes nos chamados períodos de captações. Adicionalmente, e numa perspectiva mais abrangente, vejo-o como uma oportunidade muito significativa para poderemos fazer chegar a modalidade a um conjunto muito alargado de pessoas que, mesmo que acabem por não ficar no nosso plantel, poderão ver satisfeita a sua curiosidade sobre o desporto, tornarem-se adeptas da Liga Portuguesa e ajudarem, dessa forma, a catapultar a projecção em Portugal deste desporto que tanto gostamos.


Na época passada, a influência dos atletas norte-americanos junto das equipas foi óbvia: Devils e Sharks foram finalistas e Lumberjacks terminaram em terceiro lugar. Este ano já vemos a maioria das equipas a contratar atletas e treinadores com experiência internacional. Essa tendência veio para ficar?

Acredito que sim. E é bom que assim seja pois na verdade esses atletas/treinadores trazem, como ficou provado na evolução assinável que os Devils apresentaram no espaço de apenas três anos, maior conhecimento para os atletas nacionais e geram competitividade na Liga. Falo por experiência própria dado que, como jogador, em 2014/2015 vi a nossa Defesa evoluir de forma assinalável com o apoio e orientação do dedicado Coach Skinner e no ano passado tive oportunidade de aprender muito com os nossos imports, em especial o Joey, que foi o motor da evolução do nosso Ataque.

Numa era tecnológica como aquela em que actualmente vivemos, poder-se-ia dizer que estes atletas não teriam uma utilidade assinável dado que é possível aceder a grandes quantidades de informação técnico-táctica através de vias como o youtube, redes sociais ou sites oficiais (de clubes, NFL ou de institutos norte-americanos focados no desenvolvimento da modalidade nos EUA). Contudo, a essência do conhecimento que nos foi transmitido no ano passado pelo Joey, Collin e Malcolm está muito mais virado para a aplicação prática do conhecimento teórico, contribui para uma maior sagacidade na análise do adversário e na leitura de jogo por parte dos jogadores nacionais e inclui também uma dose de pragmatismo associada ao facto de eles já terem uma experiência tão extensa que sabem o que resulta e o que não resulta em determinados contextos de jogo (“been there, done that”).

Apesar de todas as vantagens que a contratação de atletas com experiência internacional trazem, será sempre importante manter um pendor nacional nos plantéis nacionais, algo que acredito que virá naturalmente com a criação de camadas jovens nos clubes portugueses, que possam estimular o interesse de futuros atletas nacionais na modalidade e potenciar, através do desenvolvimento das suas capacidades desde tenra idade, o seu desempenho desportivo futuro aquando da chegada às equipas sénior. As normas da IFAF, que a nossa Liga actualmente segue, também poderão dar uma ajuda em virtude de limitarem o número de jogadores oriundos de países “grandes” no futebol americano que podem ser utilizados em cada jogo realizado.

Este ano regressa o QB Joey Bradley e foram buscar o defesa Alex Bartlett. Haverão mais ‘contratações’ nos próximos tempos?

Neste momento não temos prevista mais nenhuma contratação. Não obstante, o “mindset” nos Devils sempre foi (e continuará a ser) a melhoria contínua da competitividade da equipa pelo que não nos iremos abster de contratar mais algum “import”, caso seja identificada uma necessidade de relevo no plantel e a mesma possa ser colmatada com recurso a uma oportunidade de “importação”.

Os Devils foram a primeira equipa portuguesa a participar numa competição europeia da modalidade e este ano não escondem que um dos objectivos é vencer a Liga dos Campeões. É possível?

Nos Devils habituámo-nos a impor a nós mesmos objectivos difíceis de concretizar mas que servem de “lanterna” para iluminar o caminho que a direcção, equipa técnica e jogadores terão de percorrer durante o ano, o que contribui para que todos atinjamos níveis mais elevados de dedicação e aplicação diária. Ganhar a Liga dos Campeões será sem dúvida o nosso maior desafio até à data dado que competimos com equipas com outro tipo de condições (financeiras e a nível de instalações) e defrontamos, como tive oportunidade de experienciar em primeira mão no ano passado em Viena, atletas que praticam a modalidade há mais anos do que aqueles que a Liga Portuguesa de Futebol Americano tem de existência.

Não obstante, nada é impossível! No ano passado provámos que uma equipa portuguesa consegue vencer na Liga dos Campeões. Como tal, temos de continuar a nossa evolução desportiva este ano e esperamos, como resultado do nosso trabalho e dedicação, deixar a nossa marca na Europa e continuar a “dar bom nome” ao futebol americano português por esse mundo fora.

Para terminar, que palavras deixas aos adeptos e seguidores dos Lisboa Devils?

Para os adeptos e seguidores dos Devils gostaria apenas de lhes pedir que, na época que agora vai começar, nos voltem a brindar com um apoio tão notável como o do ano passado. É um prazer enorme ver as bancadas dos Olivais preenchidas e notar o aumento do interesse do público na modalidade, que tem levado inclusive a que tenhamos mais adeptos a ver os nossos jogos que a ver jogos de futebol de 11!