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Entrevista Sérgio Dinis

A 7 de Fevereiro de 2010, no Superbowl entre New Orleans Saints e Indianapolis Colts, Drew Brees levou a melhor sobre Peyton Manning, num jogo realizado em Miami. Nessa madrugada, deste lado do Atlântico nascia um novo adepto – e mais tarde treinador – de Futebol Americano. Aos 32 anos, o psicólogo Sérgio Dinis é um dos Coordenadores Ofensivos Adjuntos dos Lisboa Devils.

Sérgio, fala-nos um pouco sobre o teu percurso nos Lisboa Devils.

Cheguei aos Devils no primeiro ano de existência da equipa. Já seguia futebol americano há algum tempo e fiquei entusiasmado quando descobri que havia uma liga em Portugal – decidi vir às captações dos Devils. Entrei no roster como um Defensive End de reserva. Sempre gostei muito do aspecto táctico do desporto; sempre que podia conversava sobre táctica e exercícios com os treinadores. Mais ou menos a meio do primeiro ano, a minha época  terminou abruptamente porque tive de sair do país durante uns meses por razões profissionais. Quando voltei, o André Amorim perguntou-me se eu gostaria de fazer parte do staff técnico e eu não hesitei. 

Passei a offseason a estudar os videos dos nossos jogos e comentei várias vezes com o nosso coordenador ofensivo daquela altura que os nossos receivers bloqueavam mal. Acabei por me tornar treinador dos receivers. Nessa altura, os wide receivers eram um grupo um bocado negligenciado porque éramos uma equipa que assentava muito no running game. Na verdade, eles eram um grupo fantástico sem o saber. Ao longo da segunda época nós fomos provando isso: tivemos veteranos que se tornaram líderes e rookies que se tornaram excelentes jogadores. Durante isto tudo, fui cimentando boas relações com os nossos quarterbacks (primeiro o Bernardo e agora o Joey) e tenho contribuido para ajudar a construir o passing game da equipa. Este ano é o meu terceiro com os Devils.

Quando começaste alguma vez pensaste que estarias a treinar (mas também a aprender com) um antigo jogador da NFL? Como tem sido a experiência?

O Collin é um óptimo colega de equipa. Ele tem um à-vontade muito grande e adora jogar este desporto. Há coisas que fazemos agora que nós sempre fizemos nos treinos, mas ele tem um conhecimento enorme de técnicas e ajuda a tirar mais proveito até dos exercícios mais simples. Sinto que isso tem ajudado imenso a nossa equipa, mas também acaba por ajudar a elevar o futebol da LPFA. É importante encararmos jogadores como o Collin como uma oportunidade de aprendizagem, e não como uma muleta ou um truque de cartas. Podia dizer o mesmo do Joey e do Malcolm: o Joey tem revolucionado o sistema do ataque dos Devils, e o Malcolm tem uma alegria e carisma contagiantes. Todos são importantes e todos têm coisas para ensinar – aos colegas de equipa, a nós treinadores, e também às equipas adversárias que os têm de estudar. Acho que o próprio público do FA português tem gostado de os ver jogar, e isso também é importante para fazer crescer o desporto por cá.

 

 

Neste momento, os Devils seguem isolados no primeiro lugar do Grupo Sul e vão defrontar um adversário inédito nesta época. O que podemos esperar dos Algarve Sharks?

Os Sharks são uma equipa que também tem talento estrangeiro nas fileiras e nós sabemos que eles são muito orgulhosos a jogar em casa. Eles neste momento têm a defesa que sofreu menos pontos na conferência Sul (a seguir à nossa), e estão ainda no seu segundo ano de existência. É também um encontro complicado para nós porque temos menos de uma semana de preparação depois do último jogo com os Navigators. Mas nós temos feito o nosso trabalho de casa a estudar os sistemas deles e queremos pô-los à prova. Os Sharks são um desafio que os nossos jogadores estão ansiosos para travar. Da nossa parte, eles sabem que nós não vamos ao Algarve para passear.

Há cada vez mais pessoas a querer fazer parte do Futebol Americano nacional. Que conselho dás a quem, quer como jogador ou treinador, queira fazer parte deste mundo mas que ainda lhe falta um incentivo para tomar a iniciativa?

Dêem o primeiro passo e não parem de andar! Há umas semanas atrás, fui abordado por uma rapariga que queria jogar futebol americano. Eu expliquei-lhe que os Devils não têm uma equipa feminina e falei-lhe das dificuldades que o FA organizado sente em Portugal. Mesmo assim ela não desistiu, e começou uma página no facebook para angariar outras mulheres que queiram jogar em Lisboa.

Camisola Lisboa Devils 2013/2014

A história do futebol americano em Portugal está cheia de gente que conseguiu milagres porque não desistiu: os Navigators no início treinavam debaixo duma ponte, e no primeiro jogo dos Devils os nossos números descolavam-se das camisolas. Venham ver os jogos da LPFA, acompanhem as equipas, vejam os jogos da NFL e descubram a vossa vocação neste desporto. O futebol americano tem um lugar para todos, desde que haja entusiasmo e tenacidade.

 

Lisboa Devils © Janeiro 2016