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Entrevista Vice-Presidente Lisboa Devils

Campeão Nacional. É este o primeiro título da ainda curta História dos Lisboa Devils. Após uma época que incluiu também a participação inédita na Liga dos Campeões da IFAF, o novo homem-forte da gestão dos Lisboa Devils, Pedro Guerreiro, faz um balanço da temporada 2015/2016 e desvenda já algumas novidades para a época que se segue.

Pedro, 2015/2016 fica marcado pela conquista do campeonato nacional. Faz-nos um balanço desta época.

A nossa época ficou, obviamente, marcada pelo atingir do principal objectivo, a conquista do título de campeão nacional. Trabalhámos arduamente durante estes três anos, sentimos sempre que tínhamos que demonstrar a nós próprios se cada vitória era o nosso limite ou apenas um degrau da escada que pretendíamos subir. No entanto, e porque os campeões também precisam de ter a sorte do seu lado, a final muito disputada com os Algarve Sharks e a incerteza do resultado até ao último drive, demonstra a magia associada a este desporto. A prova da excelente época que fizemos foi o facto de três jogadores nossos se terem transferido para ligas no estrangeiro (Brasil, Finlândia e Hungria). 

No início da época foram algumas as vozes críticas pela contratação, por parte de algumas equipas portuguesas, de jogadores estrangeiros. No caso dos Lisboa Devils valeu a pena o esforço em tê-los no plantel?

A vinda de imports para os Lisboa Devils esta época foi pensada numa estratégia a três níveis:

  1. que fossem individualmente mais fortes que os nossos jogadores mas com qualidades humanas bem vincadas, que se integrassem perfeitamente no projecto;
  2. que compreendessem que, face à diferença de nível entre os dois países, teriam que ter o espírito aberto para partilhar os seus conhecimentos com o restante plantel;
  3. e, que obrigassem os nossos adversários a aumentar o nível de qualidade das suas equipas, para poder corresponder à subida de nível que pretendíamos trazer.

Os dois primeiros níveis foram atingidos, claramente, porque o Collin, o Joey e o Malcolm trouxeram, não só os seus conhecimentos, mas também a sua mentalidade vencedora, que foi determinante para aumentarmos o nível de exigência face às épocas anteriores. O terceiro objectivo será alcançado nas próximas épocas, uma vez que as equipas que participaram na LPFA acreditam agora ser possível terem jogadores com esta qualidade a jogar nas suas equipas. Aliás, nos Algarve Sharks (equipa que partilha também destes princípios) destaco o Brandon SooHoo pela postura dentro e fora do campo, onde, inclusive, criou uma relação de amizade e respeito com um dos nossos jogadores (Filipe Conceição). Dou-lhe um exemplo de como isso será uma realidade já na próxima época: sabemos que uma equipa de Lisboa vai anunciar em breve a contratação de um treinador norte-americano, em condições semelhantes às que os nossos jogadores imports vieram para os Devils. Se queremos que o próximo campeonato seja disputado até ao último minuto, é natural que as equipas, mesmo as que criticaram publicamente a vinda de norte-americanos para treinar e jogar nos Devils, acabem por fazer o mesmo e apostar na mais-valia destes treinadores e jogadores estrangeiros.

 

Este ano, os Lisboa Devils apresentaram um novo patrocinador – a Viptrónica. Do ponto de vista da gestão, quão importante foi este passo?

É preciso deixar claro que a Viptrónica não é apenas um patrocinador: é uma entidade com a qual fomos criando uma relação que vai além da habitual compra de equipamentos (e que é muito útil, entenda-se). Desde que surgiu a hipótese de ter a Viptrónica como patrocinador que ficou claro, até pela postura e mentalidade dos seus responsáveis, que estávamos perante algo diferente do habitual. Em vários momentos da época, esta parceria revelou-se fulcral e certeira pois permitiu-nos atingir um nível que nenhuma equipa do nosso desporto terá em Portugal. Prova disso foi ver que, no dia em que jogámos a Final, na cidade da Maia, a família da Viptrónica festejou connosco no relvado. Podem não entrar em campo durante a partida mas são, sem qualquer sombra de dúvida, o nosso 12º jogador!

Pela primeira vez uma equipa portuguesa – os Lisboa Devils – estreou-se nas competições internacionais e logo com uma vitória. A aposta na Europa é para continuar?

Claro que sim. No princípio da época sabíamos o grande desafio ao qual iríamos ficar expostos, no entanto, sempre acreditamos nas nossas capacidades. Conseguimos vencer os Sultans nos detalhes (mesmo número de touchdowns mas não desperdiçámos as jogadas de two point conversion, ao contrário deles). No jogo em Vienna, na semana seguinte à disputa da final do campeonato nacional, estivemos por duas vezes à frente do marcador e, numa altura em que o resultado podia ter passado para 41-36, tivemos um fumble que fez com que o resultado passasse para 48-30 e, a partir daí, o peso da época veio ao de cima (recordo que a época dos Danube Dragons levava apenas um mês e meio de competição). Desta experiência retirámos o choque de culturas, a maneira de outros países verem o mesmo desporto, a diferença para os jogadores que defrontamos internamente, contactámos com árbitros e observadores internacionais, com quem aprendemos a forma como abordam o jogo e, acima de tudo, que não nos parece inviável que, a curto prazo, outras equipas portuguesas possam estar a competir internacionalmente e, quem sabe, a ganhar a Champions League. Pelo que vimos, a nossa ambição foi ajustada para novos objectivos.

A próxima época vai começar dentro de meses com uma nova gestão na Associação Portuguesa de Futebol Americano. Que expectativas têm esta fase?

A expectativa que temos é muito simples. Que não se oiça falar da APFA salvo por motivos positivos. Acreditamos (e por isso defendemos) no o projecto que venceu, no qual o nosso Presidente, Duarte Hipólito Carreira passou a Presidente da Associação, porque entendemos que, acima de uma Direcção da APFA que se diga independente, preferimos uma Direcção com qualidade para transformar para melhor o Futebol Americano em Portugal.

Os clubes têm que compreender que, dentro de campo, lutam todos pelo mesmo objectivo que é ganhar. Dentro de campo são adversários. No entanto, há uma distinção clara entre adversários e inimigos.

Fora de campo deveremos estar unidos em torno de um objectivo único que é a promoção e o desenvolvimento do nosso desporto. Para que apareçam novos jogadores, para que surjam novas equipas, para que consigamos atrair patrocinadores que permitam aos clubes fazer outro tipo de investimento. Como em material de treino, para que aumentemos o nível da Liga, e que, por conseguinte, se traga mais espectadores nas bancadas. E independentemente do que cada clube pretende fazer e dos seus objectivos, não podemos abandonar este objectivo comum, para bem de todos. Na minha opinião, a responsabilidade desta Direcção deverá ser a responsabilidade de cada um dos clubes, foi este o princípio que os Lisboa Devils apoiaram, e será este o princípio que os Lisboa Devils irão sempre defender.

E em termos individuais da equipa, o que podemos esperar dos Lisboa Devils para 2016/2017?

Na próxima época pretendemos vencer novamente o campeonato. Sabemos que a tarefa não será fácil mas se fosse fácil estariam cá outros. Pretendemos também aumentar a qualidade do espectáculo que proporcionamos aos nossos adeptos e trazer mais pessoas ao estádio para nos apoiar. Temos ainda o objectivo de passar à Final Four da Champios League mas, sobre isso, falaremos melhor ao longo da época…