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DAVID E GOLIAS 
EM JOGO ELECTRIZANTE

Lisboa Devils estrearam os novos equipamentos na meia-final

 
Um dia depois de Crusaders CFA e Porto Mutts terem protagonizado um duelo empolgante, Lisboa Devils e Lisboa Navigators vestiram-se a rigor e deram um espetáculo digno de ser visto e revisto por todos os amantes da modalidade.

Com sede de vencer e de mostrar trabalho com os novos equipamentos alternativos, os Lisboa Devils apresentaram-se ao serviço bem cedo, pelas 15h, para dar início à preparação pré-jogo do embate mais importante das suas vidas; ao contrário de outras ocasiões, nervosismo e ansiedade eram sentimentos que não estavam presentes no Campo do Vitória Clube de Lisboa.

Afinal de contas, a pressão estava toda do lado do adversário – pentacampeão nacional e com apenas uma derrota em 52 jogos – e a mensagem transmitida aos jogadores era clara e evidente: os Lisboa Navigators eram quem tinha tudo a perder.

No início da partida, e após um primeiro drive onde não conseguiram marcar, os Devils estavam na sua praia, com os Navigators a ter posse de bola e perceberem o porquê de a defesa dos diabos ter feito uma segunda metade do calendário digna de candidata ao título.

Com o Ataque de novo em campo, liderado pelo quarterback Bernardo Solipa, os Devils passeiam classe, num drive marcado por excelentes corridas, que culminou num touchdown de Ricardo Jaquité, o running back revelação desta 6ª edição da Liga. O pontapé aos postes não foi concretizado e o resultado estava em 6-0 para a equipa visitante.

Com a mudança de quarto assistimos aos Lisboa Navigators a correrem atrás dos primeiros pontos, o que acabou por acontecer, numa jogada de passe. Pontapé aos postes bem concretizado pelo antigo kicker dos Lisboa Devils e 7-6 perto do final do segundo quarto.

Espetáculo ferido a caminho do intervalo

A cerca de dois minutos do descanso, o inusitado aconteceu (de novo): foi necessário transportar para o hospital um jogador dos Lisboa Navigators e a partida ficou suspensa. Primeiro por iniciativa dos Lisboa Navigators, que numa primeira instância se recusaram a prosseguir com a partida tendo minutos depois repensado a decisão, quer pelos Lisboa Devils, que agiram quer em conformidade com os Regulamentos quer com a decisão inicial dos Navigators. Convém referir que esta mesma situação já havia ocorrido em Braga, diante dos Warriors, e em nada beneficia o espetáculo.

Nas bancadas, onde reinava o vermelho de apoio aos Devils, a impaciência imperava e alguns adeptos foram saindo, uns de vez e outros para matar a sede do calor que ainda se fazia sentir na capital portuguesa.

Após cerca de 35 minutos de espera, os delegados dos Devils e Navigators acordaram, a bem do espectáculo, jogar os últimos dois minutos da partida sem presença de veículo de emergência no local [que chegaria segundos antes do reinício do jogo].

Reatada a partida, os Lisboa Devils voltam a mexer no marcador por intermédio do quarterback Bernardo Solipa, que num salto de braço esticado fez a bola entrar na endzone dos Navigators! Na tentativa da conversão de dois pontos, Bruno Cardoso disse “presente” e estabeleceu o resultado em 14-7.

Com o relógio a funcionar contra si, os Navigators ainda tentaram colocar pontos no marcador mas sem sucesso. Íamos para intervalo com os Devils por cima e a colocar o campeão nacional em alerta.

Nervos versus experiência

No regresso dos balneários, cabia aos Lisboa Navigators inverter a tendência e, com a sua experiência, em dois drives plenos de oportunidade e eficácia consumam a reviravolta, estabelecendo o resultado em 20-14, com o último ponto extra a não ser convertido. Nesta fase, notava-se alguma ansiedade nos Lisboa Devils, o que ficou bem espelhado num dos momentos decisivos na partida: na primeira jogada do último quarto, um fumble na red zone dos Lisboa Navigators impedia os diabos de empatar ou colocar-se na frente da partida.

Se de um lado havia mais ânsia, do outro revelava uma equipa tranquila com a posse de bola e que sabia que ao correr a bola tudo funcionava a seu favor. E num drive que comeu quase seis minutos ao relógio, os Lisboa Navigators dilatam o marcador a quase três minutos do final da partida, com muitos a pensar que o resultado estava feito. 26-14 e já muita gente apostava que seria o resultado definitivo.

Puro engano: havia ainda tempo para jogar e era imperativo tentar dar a volta aos acontecimentos!

Num dos melhores momentos deste campeonato, assistimos a um drive de luxo, em qualidade e eficiência, por parte dos Lisboa Devils, com o quarterback Pedro Almeida ao leme, tendo concluído o set de jogadas com um touchdown em corrida quando o relógio marcava 1:50 para terminar, tendo o kicker Ruben de Barros colocado o marcador em 26-21.

Os dados pareciam relançados, com os Devils a tentarem recuperar a posse de bola num onside kick, o que não aconteceu. No drive seguinte, os Navigators chegaram ao touchdown, ao qual adicionaram dois pontos, colocando o resultado em 34-21.

No return do kick-off foi anulado um touchdown aos Lisboa Devils por suposto block in the back mas nem isso iria impedir uma final emotivo e que, por momentos, deixou os adversários apreensivos: num passe pleno de oportunidade de Bernardo Solipa, Pedro Almeida recebe a bola e corre mais de 60 jardas, num touchdown impressionante mas que só deixou surpreendido quem não está a par da qualidade deste jovem, bem como do seu irmão João Almeida, muito semelhantes no estilo de jogo.

Ponto extra bem convertido e resultado em 34-29.

O silêncio sentido no campo e banco adversário aquando da preparação de mais um onside kick demonstrava respeito pela exibição de gala dos Lisboa Devils.

Com pouco mais de 20 segundos para jogar, o treinador e capitão André Amorim tentou de novo recuperar a bola para os diabos dos Olivais mas sem sucesso, confirmando a vitória por 34-29 dos pentacampeões nacionais por uma diferença inferior a um touchdown.

Terminava ali a grande época que os Lisboa Devils fizeram, num saldo final de cinco vitórias e igual número de derrotas, superando as expectactivas da maioria dos seguidores da modalidade mas não as da equipa, que desde a primeira hora quis lutar por um lugar na final.

Final do jogo

Final do jogo, com derrota por 34-29.

 

Antes de terminar, destaque pela positiva vai para a quantidade de público presente dos Lisboa Devils e que, vestidos a rigor, nos apoiaram do primeiro ao último minuto, dando-nos o ‘colinho’ necessário para defrontar aquela que é, sem sombra de dúvidas, a melhor equipa portuguesa da modalidade.

Vitória justa da melhor equipa em campo mas que em nada mancha ou diminui a exibição de uns Lisboa Devils que num só jogo marcaram mais pontos aos pentacampeões que qualquer outro adversário no último ano (Crusaders 41 – Navigators 43 a 13 de Abril 2014, na 5ª edição da Liga).

Nota final negativa para dois aspectos: os actuais Regulamentos da competição são manifestamente insuficientes quanto à questão dos veículos de emergência já que, em situações limite, alguém mal-intencionado pode sentir-se tentado a quebrar o ritmo ao adversário bastando para tal simular uma lesão para ser levado ao hospital e, assim, suspender a partida.

Adicionalmente, de lamentar alguns excessos cometidos e que constaram do relatório final da arbitragem, como tentativas de intimidação a alguns árbitros e ameaças à sua integridade física. Independentemente de haver razões de queixa neste âmbito (e os Devils têm-nas pois, por exemplo, viram um jogador seu ser expulso assim como anulado um touchdown por pretensa falta), nunca nada pode ser justificado com ameaças de violência, havendo a agravante de se tratar de um desporto em crescimento e que deve passar uma boa imagem a quem ainda não nos segue.

Convocados

ATAQUE

Diogo Cassiano, Willian La’Prado, Marco Favinha, Luís Abreu, André Cunha, Rui Rodrigues, Miguel Valente, André Costa, Ricardo Fonte, Luís Reis, Bernardo Solipa, Pedro Almeida, Ricardo Jaquité, Frederico Ferreira, André Amorim, David Silva, Jorge Lourenço, Bruno Pereira, Pedro Flores e Bruno Cardoso.

DEFESA

Pedro Fernandes, André Jesus, Fernando Cardoso, Filipe Conceição, Frederico Camara, André Pacheco, Gonçalo Matos, Lourenço Tavares, David Martins, Bruno Fonseca, Pedro Mouta, Ruben de Barros, João Almeida, Paulo Viegas, Paulo José Martins, Tiago Jaime, Ivo Nascimento, Paulo Nunes, Luis Miguel Sepulveda, António Estevão, Dinu Buzut, Antoine Fernandez, Joel Santos, Nuno Almeida e Paulo Fonseca.

Capitães: Bernardo Solipa, André Amorim, Ivo Nascimento e David Martins.

Resumo do jogo (FA Portugal)